Academia Cearense de Letras celebra posse dos novos integrantes da Padaria Espiritual

A Academia Cearense de Letras realizou, nesta última quarta-feira (10), a Solenidade de Posse dos 20 jovens que passam a integrar a nova fase da Padaria Espiritual, revivendo um dos movimentos culturais mais emblemáticos da história cearense. A cerimônia, conduzida pelo presidente da ACL, Tales de Sá Cavalcante, simbolizou não apenas a continuidade de um legado iniciado em 1892, mas também o compromisso da instituição em estimular o pensamento crítico e a produção literária entre as novas gerações.

Por meio de concurso aberto a estudantes da rede pública de ensino, a nova fase da Padaria Espiritual selecionou 20 jovens entre o 9º ano do Ensino Fundamental e o 2º ano do Ensino Médio, com o objetivo de estimular a produção literária, artística e o pensamento crítico no Ceará.

Criada originalmente em 30 de maio de 1892, no histórico Café Java, quiosque situado na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, a Padaria Espiritual era formada por jovens escritores, desenhistas, pintores e músicos. Seu propósito era “despertar o interesse da sociedade pelas letras e artes” ao fornecer “pães para o espírito”, ou seja, alimento cultural e literário para o público.

Naquela época, seus membros publicaram o periódico “O Pão”, que em suas 36 edições trouxe mais de 200 poesias e 60 narrativas, cooperando para o florescimento da literatura cearense. A Padaria Espiritual desempenhou um papel fundamental não só na promoção das letras e das artes, mas também na formação da identidade cultural do Ceará, deixando um legado duradouro lembrado e valorizado no presente, 132 anos após sua fundação.

Em recente reflexão sobre o que é um livro, o professor Tales recorreu a uma formulação de Immanuel Kant (1724-1804), para quem o livro possui dupla natureza: material e discursiva. Existe como objeto físico e também como discurso, manifestação de ideias e percepções da realidade que ultrapassam os limites materiais. A Padaria Espiritual encarna essa dupla natureza. Jornais, encontros e produções são o “corpo” visível do movimento. O espírito crítico, a irreverência e o humor que marcaram o grupo são elementos que constituem sua “alma”, que será vivida pelos novos membros.

Confira as fotos por Tiago Lemos.

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